Dos finlandeses, diz-se que seriam o povo perfeito para um ditador: obedientes e pouco dados a questionar a autoridade. Eu acredito que nós portugueses não somos muito diferentes. Não temos é a capacidade para permanecer indiferentes ao poder, pelo que a ditadura apodreceria por dentro.

Diferença assinalável: o finlandês evoluí. Enquanto nós continuamos presos aos formalismos das nossas regras e normas o finlandês interpreta a situação e, no uso da sua competência decide. Imaginem um polícia a pensar pela sua cabeça nesta situação: «A polícia suspendeu a deportação de duas avós por haver indícios de que a lei poderá mudar em breve» (em virtude destes dois casos) YLE.

Talvez seja só a mim que coisas destas surpreendem, não sei. Mas imaginem a mesma situação em Portugal. Aliás, podem estar recordados de situações similares num passado recente. O que faz o executor? Executa. «Eu por mim não o quero, é até absurdo, mas a lei é dura; a lei é lei.»

Um ivestigador concluiu: Portugueses muito tolerantes com a corrupção

Excertos do artigo de jornal:
“a corrupção estilo “Robin Hood” (que favorece os mais fracos) ainda tem uma grande aceitação na sociedade portuguesa. Facto que é sintomático “de uma cultura cívica ainda muito assente na satisfação de necessidades básicas”.

Ainda segundo os estudos que revelou aos deputados, a definição social de corrupção dos portugueses “é algo restrita” e “propícia a que estes escolham frequentemente fazer mais do que a Lei permite e menos do que a ética exige”.”

Mas desde quando é que a corrupção pode servir o bem comum?

Assim nunca saíremos da cepa torta…

Por razões óbvias raparigas, morenas ou branquinhas como a neve, desfilando semi-despidas pelas ruas da cidade não são muitas durante esta época do ano: há um desfile de Carnaval em Helsínquia, normalmente por alturas das festas da cidade (12.06). Nesta altura do ano isto é o que há:

Carnaval de inverno na Finlandia
Carnaval de inverno na Finlandia

Laskiaissunnuntai e Laskiaistiistai é a tradição que cá decorre 7 semanas antes da Páscoa. Vai-se para os montes e toca a descer até lá baixo, de preferência usando um trenó. Normalmente com roupas.

O casamento, ou união, é porventura a principal razão pela qual os machos portugueses chegam até estas terras periféricas. Já as razões pela quais permanecem poderão ser outras…

Voltando ao casamento, é na Finlândia muitas vezes um ritual simples, muitíssimo menos extravagante que em Portugal e por vezes mero acessório – muitos casais finlandeses não se casam, razão pela qual quase 1/4 dos casamentos registados em 2009 na capital finlandesa foram com ou entre cidadãos estrangeiros.

Existem algumas tradições locais que poderão surpreender os convivas de outras culturas. Continue reading

Da próxima vez que um nativo deste belo país lhe vier martelar os ouvidos com o hino “Equality, in Finland women have equal rights” é favor agraciar o dito (normalmente “nativa”, uma jovem entusiasta mas também ingénua qb) com o relato de episódios como este:

The recent rape of a 16-year-old girl by a policeman has raised debate on how sex crimes are penalized in Finland. The policeman who got the girl drunk and raped her twice was handed a suspended sentence [dois anos de pena suspensa].

Quite astonishingly, the courts handed down a multi-year prison sentence last year for cigarette smuggling.

FONTE: YLE – Finland Home to Some of Europe’s Lightest Rape Sentences

Exemplos deste tipo de justiça abundam por cá e até os poderão encontrar aqui neste blog. Os crimes de sangue, coisa de homem que é homem e que por isso é capaz de perder as estribeiras, têm frequentemente sanção menos penalizadora que os crimes económicos.

A ministra da justiça já prometeu legislação para proteger as crianças mas não creio que isso vá mudar muito. Aposto que as e os activistas destas causas estão muito mais angustiados perante a possibilidade algumas mulheres puderem aceitar vender o seu corpo num contracto entre adultos livres, como forma de pagamento da renda. Deve de ser pelo rendimento não declarado…

Na Finlândia os membros das igrejas luteranas e ortodoxas pagam impostos mais elevados: entre 1 e 2 % do rendimento dos fiéis é retida pelo Vero para ser entregue directamente às organizações religiosas (taxation of residents).
Os impostos são uma das principais razões pelas quais o número de fiéis destas igrejas tem vindo a decrescer: a perspectiva de poupança de algumas centenas de euros é motivação suficiente para cortar a ligação à igreja.

Segundo o diário metro, ao novo bispo da igreja católica também gostaria de poder cobrar impostos directamente aos seus fiéis. Não apontou nenhuma razão moral ou de justiça, limitou-se a dizer que «se os outros têm, nós também queremos». Os meus impostos é que não hão-de ter.