Estava a passar pelo JONE’s ali no túnel lateral da Estaçäo Central de Helsínquia (ao lado do R-Kiski, como de quem vai/vem para as linhas 13-19) quando, por mero acaso, deparei-me com uma visäo triangular recheada familiar… e grandes que eram os triângulos!
Só podiam ser, ou azevias ou chamuças. Fosse como fosse, já faria água na boca!
Veio o prestável empregado, perguntei-lhe, e ele logo esclareceu: “SAMUSSA!”
Para vos abrir o apetite, ofereço-vos este vídeo de baixo valor calórico, onde o meu amigo Songa faz de “Mestre Chamuceiro”…

Bom apetite!
Adenda: As azevias säo tradicionalmente em 1/2 lua, mas já as vi triangulares. Em Portugal, obviamente.

WOMEX 2008 logo

A Terra Pura, de Luís Rei, iniciou uma série de seis emissões especiais com reportagens efectuadas na WOMEX, a maior feira de músicas do mundo, que decorreu em Sevilha entre 30 de Outubro e 2 de Novembro. Foi preparada uma emissão dedicada à folk nórdica, que incluí uma conversa com a sami sueca Sofia Janook e os finlandeses Jouhiorkesteri e Kristiina Ilmonen (da Sibelius Akademi que conquistou o prémio WOMEX 2008, a par dos hungaros Muszikás). Jouhiorkesteri, a Orquestra da Crina, é um quarteto finlandês que dá uma dimensão nunca antes vista à lira tocada com arco. Através deste link poderão ouvir a emissão de 21 de Novembro – Valkyrien Allstars, Jouhiorkesteri…

Maravilha! Näo só as lojas todas estaräo abertas ao Domingo, as mais pequenas poderäo funcionar SEMPRE! Que mais se pode pedir?

Argumentos contra: Como se näo bastasse já a “cultura do centro comercial”, ainda mais se ajuda. O pouco tempo que se passava com a família (forçado ou näo) vai acabar, porque os putos väo para o antro de comida-lixo e os papás a ver montras.

Argumentos idióticos a favor:
(HS 14/11/08 A8) Se se for “de festa” na 6.a à noite, no Sábado näo apetece ir às compras [devido à ressaca] –isto de uma gaja acima dos 50. Mas esta gente näo se enxerga?

Falam de “mudança societal” com esta medida. Pois é verdade.
Ai e tal, quem trabalha aos Domingos recebe mais dinheiro. Pois é verdade. Mas breve se perceberá que näo há “voluntários” que cheguem, e väo passar a forçar pessoas a trabalhar ao fim-de-semana. Que descansem à Terça ou à Quarta, näo é? E o que há para fazer nesses dias? Ficar em casa sozinho? AH, resolvido o problema: vai-se às compras! Que sociedade perfeita!
Mas ainda sobre a “mudança societal”:
A discussäo acerca do “comércio tradicional” contra as grandes superfícies falha sempre, porque se quer esquecer as razöes pelas quais ele está aberto em “horário de expediente”:
— é/era feito por empresários, que daí tinham o seu emprego e rendimento
— funcionava às mesmas horas das fábricas e escritórios, porque as pessoas iriam a actividades comuns (fosse igreja, fosse família) após o trabalho
— funcionava às horas de expediente porque a sociedade funcionava na premissa de que apenas um dos cönjuges estaria na fábrica/escritório.
Essa é que é essa, e tem-se ignorado! Talvez porque seja bastante conveniente ignorá-lo.
“Dantes” era a mulher que fazia as compras, enquanto o marido estava fora de casa.
Hoje em dia, com os dois a trabalhar fora de casa, qualquer dos dois teräo de o fazer obviamente após o seu trabalho. Daí que só me pergunte uma coisa: durante os dias de semana, qual é o movimento que têm os supermercados das 07:00 às 09:00, alguém me pode informar? Aliás… até às 11:00! Ou às 14:00!

No fim de contas, os supermercados têm custos/hora totalmente fixos, seja de Inverno ou Veräo. Säo “árvores de Natal” permanentes. Agora com custos de trabalho acrescidos para pagar as compensaçöes “domingueiras”. Quem paga isto? TU, meu cliente.
Como se o cartel do K+S+T näo te fosse ao bolso que chegue!
Mas parece que, näo obstante a crise, os finlandeses têm dinheiro a mais nos bolsos, logo näo lhes dói. Veremos daqui um ano. Se calhar väo ser os próprios supermercados a recusar abrir aos Domingos por falta de rendibilidade.

Näo seria mais inteligente que as lojas estivessem abertas só das 11:00 às 21:00 de Segunda a Sábado?

Dados do longínquo ano de 2002 (dados OCDE):

PMEs participando em cooperaçöes de inovaçäo:
Finlândia: 20% — 22% das PMEs industriais — 19,1% das PMEs de serviços
média EU15: 7,1% — 9,5% das PMEs industriais — 7,6% das PMEs de serviços
Portugal: 7% — 6% das PMEs industriais — 9% das PMEs de serviços

Financiamento do Estado no total de financiamento em I&D
Finlândia: 26% (7,5% PIB) — 3% do total de financiamento de empresas privadas
média EU15: 33% (9% PIB) — 7,5% do total de financiamento de empresas privadas
Portugal: 61% (0,5% PIB) — 2% do total de financiamento de empresas privadas

Despesas com Universidades públicas
Finlândia: 2,1% PIB — 11.000 USD (PPP) por estudante
Portugal: 1,1% PIB — 5.000 USD (PPP) por estudante

Näo há milagres nem paraísos: há uma estratégia de desenvolvimento alicerçada na educaçäo pública, investigaçäo e desenvolvimento, mas também iniciativa privada.
A consequência disso é chegarem a ser o país mais competitivo do Mundo anos a fio, coisa que para Portugal, isso sim, seria um verdadeiro e total milagre.

… agora vou copiar esta entrada ipsis verbis para todos os blogues onde hajam comentários estúpidos acerca do “paraíso finlandês” por causa dos assassinos das escolas…

O BCE injectou 30.000.000.000 € (30 mil milhões) 100.000.000.000 € (100 mil milhões) no mercado para “acalmar os mercados financeiros”.
Pois é… para construir escolas, hospitais, enfim, melhorar serviços públicos, não, isso nem um (velho) tostão. Aliás, o Estado até se deveria desligar disso, e deixar tudo aos privados.
Agora salvar bancos que andaram 10 anos a brincar em serviço, emprestando sem olhar a riscos e demais coisas que vão contra todo o princípio económico de sustentação do próprio negócio (já para não falar do bom senso), isso tudo bem. Aí a “mão invisível” do mercado já não chega. Tem que ser a mão bem visível do BCE a corrigir.

Meus senhores: supostamente o bem do capitalismo é ter um mecanismo de selecção natural encastrado, onde quem faz cagada paga com a falência. Assim como estão as coisas, os bancos vão continuar na senda de fazerem coisas contra natura, que já sabem que os safam na boa.

Até pode haver aí um dos do costume a dizer “ai mas se os bancos vão à falência, é a crise de quem lá tinha o dinheiro como na Argentina”. Só digo: paciência! Tivessem-se informado, e retirado as suas economias provindas de hárduo trabalho desses “banquinhos” e metido noutros… ou, QUIÇÁ, debaixo do colchão!

E que vai provocar este influxo brutal e inopinado de massa monetária? Em primeiro lugar, desvalorização da moeda existente–ficamos automaticamente mais pobres.
E que mais? Inflação, pois claro.
Mas esperem, não é o objectivo primário e ulterior do BCE o controlo da inflação? É.
Como conciliar estas incongruências? Sobe-se a taxa de juro. Ai tão bom tão simples.

Então, por causa da estúpida actuação de bancos onde nem tenho dinheiro, não só fico mais pobre, como também, se porventura tenho de contrair um empréstimo (que só farei se for mesmo necessário), agora vou ter de pagar pelos caloteiros que viveram acima das suas possibilidades! E os bancos, em vez de falirem como merecem, estão na boinha…

Estou curioso por saber quem é o primeiro dos auto-denominados “capitalistas inveterados” a defender esta medida “socialista”–pior que isso, totalmente errada!