No Juhannus do ano passado notei um grupo de turistas lusos, rapazes educados e bem vestidos, a assistir ao jogo da selec√ß√£o num dos bares da cidade. Um dos rapazes engra√ßou-se com uma rapariga e vi-os mais tarde noutro bar. Os rapazes pareciam estar a jogar um desporto colectivo, revezando-se na tarefa de ajudar o amigo a entreter e atrair a mo√ßa e qui√ß√° este tivesse sorte…
O nosso her√≥i ainda n√£o tinha assimilado a sorte que lhe ca√≠ra do c√©u, e estava at√© um pouco desorientado. A mo√ßa, essa, dava sinal de enfado. Estive at√© tentado a ir ter com ele e perguntar-lhe porque esperava: “Oh p√°, olha que ela tem a escova de dentes na mala.” A mala dela era realmente muito grande.

Recordo-me de a ter visto ao final da noite na companhia de um local. N√£o sei o que se ter√° passado mas se pedissem um palpite diria que o rapaz n√£o percebeu que o pr√©mio era ele. Que ele n√£o se apercebeu que ela estava “ganha” quase desde o momento em que que ela o viu e que n√£o havia necessidade de a conquistar. E que as tentativas dele para a convencer dos seus talentos apenas serviram para a aborrecer e convencer que afinal o rapaz n√£o tinha muito jeito para coisa.

A verdade √© que um encontro sexual em Hels√≠nquia √© bastante mais acess√≠vel do que os portugueses est√£o habituados. Basta determina√ß√£o suficiente, um crit√©rio suficientemente “largo”, uma pontinha de sorte e… ser f√°cil. Um portugu√™s chega com a mentalidade de que conseguir alguma coisa √© “ter sorte.” J√° entre as locais, h√° muitas que que partem √† conquista. E que acham que um rapaz com determinadas caracter√≠sticas √© um pr√©mio apetecido… Muitas n√£o hesitam em fazer-lhes a corte. As mais h√°beis deixam-se seduzir, tal como as latinas. Mas a maior parte √© bastante transparente nas suas inten√ß√Ķes, que s√≥ a nossa mentalidade de escassez nos impede de ver.

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J√° toda a gente ouviu dizer que os pa√≠ses n√≥rdicos s√£o campe√Ķes do suic√≠dio. “N√£o √© verdade que eles l√° n√£o se atiram todos de um penhasco ou se embebedam at√© cair para o lado?”

H√° at√© uma conhecida can√ß√£o dos anos 90…

Todavia, a realidade √© distinta. E, reza a estat√≠stica, at√© surpreendente…

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Numa altura em que (ainda) tanto se fala da educa√ß√£o finlandesa aqui fica uma curiosidade: No ensino p√ļblico, as aulas de educa√ß√£o f√≠sica s√£o separadas por g√©nero, a partir do quinto ano. Calculo que possa ver excep√ß√Ķes mas a regra √© haver aulas para rapazes e aulas para raparigas: juntam-se turmas diferentes s√≥ para esta aula. Desconhe√ßo as motiva√ß√Ķes mas estou certo que o pudor ou a religi√£o n√£o s√£o √© uma delas.
Como diria o Pessa, “e esta, hah?”

Nokia Numa praia de Hels√≠nquia o finland√™s apontava para o outro lado da ba√≠a: “acol√° fica a nossa sede. Tamb√©m l√° temos bastantes estrangeiros, e por vezes h√° alguns problemas da comunica√ß√£o.” J√° ter√£o passado quase 10 anos e este fragmento da conversa que inadvertidamente ouvi, mas por alguma raz√£o ela ficou-me na retina. Talvez pela forma como o local, provavelmente um engenheiro da Nokia, explicava com indesment√≠vel orgulho ao visitante estrangeiro que a Nokia era uma “coisa nossa.” Na altura a Nokia era o l√≠der indisputado do mercado e ningu√©m antevia o que estava para vir. A √ļnica possibilidade de a Nokia deixar a Finl√Ęndia seria por raz√Ķes fiscais, e cujo fantasma a companhia n√£o deixou de agitar, mas que ningu√©m realmente levava a s√©rio. Se bem que sempre houvesse aquele receio…

A hist√≥ria da Nokia confunde-se com a hist√≥ria da Finl√Ęndia dos √ļltimos 20 anos, como um pequeno e perif√©rico pa√≠s saiu de uma crise t√£o ou mais grave como aquela que agora afecta Portugal e o sul da Europa Continue reading