O realizador de “O Homem Sem Passado” (The Man Without a Past – 2002) celebra esta semana o seu quinquagésimo aniversário. Que tipo de relação une os irmãos Kaurismäki ao mundo lusófono? Por outro lado, quem não conhece em Helsínquia o ambiente mágico do Corona e o glamour decadente do seu “mano” Moskva, referências incontornáveis da boémia artística e literária da cidade? E o que pensam os portugueses a viver na Finlândia dos filmes «kaurismakianos» (tanto os de Aki como os de Mika…). Qual o vosso favorito? …Por que razão?
Aki produz vinho do Porto, Mika estabeleceu-se no Brasil para criar um conjunto de documentários e ficção tendo como pano de fundo temáticas locais, especialmente a música e os ritmos brasileiros. Aki introduziu-se no cinema como ajudante do irmão mais velho, que realizou, entre outros, “Estrela de Papel” (Paper Star – 1989), ”Helsínquia-Nápoles Toda a Noite” (Helsinki-Napoli All Night Long – 1987) e Brasileirinho (2005).

Os protagonistas dos seus filmes podem trabalhar num restaurante, ser sem-abrigo deserdados e amnésicos ou lutar para se tornar estrelas de rock. O realizador presta particular atenção ao retrato das classes operárias e desfavorecidas, e agradam-lhe especialmente os cenários anos-80, mesmo nos filmes mais recentes. A direcção de actores é simplíssima, o humor que subjaz à ausência de sorrisos é irrecusável.
O mais novo dos Kaurismäki é considerado por muitos como o melhor realizador finlandês vivo, embora o próprio se defina como «um péssimo realizador» que, não obstante, «se recusa a filmar merda», o que o faz entrar em colisão frontal com o plástico Hollywoodesco importado.
Uma característica louvável em Aki Kaurismäki é a sua frontalidade e a forma como tem utilizado a visibilidade mediática de que agora dispõe para transmitir importantes mensagens de carácter político, como sucedeu com o seu boicote, por duas vezes, às nomeações para os Óscares da Academia (em protesto contra a intervenção americana no Iraque) e a solidariedade que demonstrou para com Abbas Kiarostami, a quem as autoridades norte-americanas decidiram recusar um visto para o Festival de Cinema de Nova Iorque.
Os interessados podem ler mais sobre o aniversário desta semana neste meu artigo aqui:
http://www.ovimagazine.com/art/1521
Para uma boa crítica em português de Luzes na Escuridão (2006), o último da Trilogia Helsinki de Aki Kaurismäki, vejam aqui:
http://www.zetafilmes.com.br/criticas/luzesnaescuridao.asp?pag=luzesnaescuridao