No Juhannus do ano passado notei um grupo de turistas lusos, rapazes educados e bem vestidos, a assistir ao jogo da selecção num dos bares da cidade. Um dos rapazes engraçou-se com uma rapariga e vi-os mais tarde noutro bar. Os rapazes pareciam estar a jogar um desporto colectivo, revezando-se na tarefa de ajudar o amigo a entreter e atrair a moça e quiçá este tivesse sorte…
O nosso herói ainda não tinha assimilado a sorte que lhe caíra do céu, e estava até um pouco desorientado. A moça, essa, dava sinal de enfado. Estive até tentado a ir ter com ele e perguntar-lhe porque esperava: “Oh pá, olha que ela tem a escova de dentes na mala.” A mala dela era realmente muito grande.

Recordo-me de a ter visto ao final da noite na companhia de um local. Não sei o que se terá passado mas se pedissem um palpite diria que o rapaz não percebeu que o prémio era ele. Que ele não se apercebeu que ela estava “ganha” quase desde o momento em que que ela o viu e que não havia necessidade de a conquistar. E que as tentativas dele para a convencer dos seus talentos apenas serviram para a aborrecer e convencer que afinal o rapaz não tinha muito jeito para coisa.

A verdade é que um encontro sexual em Helsínquia é bastante mais acessível do que os portugueses estão habituados. Basta determinação suficiente, um critério suficientemente “largo”, uma pontinha de sorte e… ser fácil. Um português chega com a mentalidade de que conseguir alguma coisa é “ter sorte.” Já entre as locais, há muitas que que partem à conquista. E que acham que um rapaz com determinadas características é um prémio apetecido… Muitas não hesitam em fazer-lhes a corte. As mais hábeis deixam-se seduzir, tal como as latinas. Mas a maior parte é bastante transparente nas suas intenções, que só a nossa mentalidade de escassez nos impede de ver.

Se o que escrevi choca com as descrições das “proezas” lusitanas nos países do norte da Europa, então o melhor é parar de ler. O que aí vem contradiz muitas das “verdades” partilhadas em conversas entre estrangeiros e até locais.

Por exemplo, ao contrário do que as locais possam dizer (afinal quando são elas a fazer a corte, elas dizem coisas agradáveis ao nosso ouvido) os homens locais não diferem significativamente dos homens noutros países e cidades, excepto talvez na menor agressividade. E em quantidade: em Helsínquia são menos. Há bastante menos que mulheres.

O fenómeno é conhecido e ocorre em cidades como Belo Horizonte, Riga, Nova Iorque e outras cidades tidas como cosmopolitas, incluindo as demais capitais nórdicas.

turistas mexicanos em romaria
Quando há mais mulheres do que homens o tamanho médio das saias diminui, o comportamento delas é mais ousado, os homens comportam-se de forma menos agressiva e o sexo casual tem maior aceitação.

Há também importantes factores culturais e sociais a influenciar os comportamentos: nos países nórdicos existe uma cultura de independência pessoal onde o espaço pessoal é bastante amplo, uma sociedade moderna e cosmopolita, e quase que até hedonista. As mulheres há muito que conquistaram a sua independência e não têm problemas em assumir poses, actos e atitudes masculinos. Como, por exemplo, sair à noite e beber. Junte-se a isto uma propensão dos locais para a introspecção e tendência para interiorizar as emoções e temos um cocktail para uma noite de arromba.

[Actualização: a segunda parte deste artigo está aqui.]

2 thoughts on “A tua mãe não te preparou para as raparigas finlandesas…

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