-You do know that I am Portuguese…
-There’s a video camera in the roof… (…) No, I’ll trust you. Just leave the exam in my desk when you are done and make sure the door is locked when you leave.

A situação era, já de si, original. Por falha minha, perdi o segundo e último exame de IE. Repetir a cadeira parecia-me uma pena adequada ao meu desleixo, mas a ideia de ter de repetir todo o trabalho no próximo Inverno apoquentava-me. Perguntei ao professor se poderia ficar com esses trabalhos e participação creditados para o próximo ano – não custa nada tentar a sorte…

A resposta, por email, surpreendeu as minhas melhores expectativas: “You were very active during class and I appreciated your input to the course. I have a student taking an exam next week so you can have the info economy exam at the same time.

Não sei qual a razão do outro estudante, mas desconfio que seria mais “normal”. Ele fazia um exame em finlandês. Encontra-mo-nos no seu gabinete na terça às 4 e o professor deixou-nos em paz. Ao fim de uma hora o outro aluno levantou-se e foi-se despedir do professor. Passados 5 minutos o professor veio, disse-me que se ia embora e deixou-me as instruções. Eu disse-lhe que precisava de 15 minutos e que tudo o resto estava na minha mochila 😉

Como já devem ter percebido, eu só mexi na mochila no momento para sair. Apesar de ser bom aluno, tive em Portugal as minhas oportunidades para cabular e nalgumas delas…
Mas não aqui. Não por ser mais velho e adulto, o que alguns de vocês desmentirão prontamente, nem por a nota não ser assim tão importante, ou por o professor em causa ser uma forte possibilidade para orientador de tese.

confiança Não. O professor confiou em mim. Tratou-me como alguém merecedor uma segunda oportunidade e da sua confiança, capaz de decidir por mim mesmo as minhas acções. Como poderia eu desbaratar esse voto com uma rápida vista de olhos pelos meus apontamentos? Mesmo que ele nunca o soubesse, um de nós sabê-lo-ia. Sem o querer, ele condicionou-me.

E é isto que os portugueses precisam de aprender – com a Finlândia, ou com outra qualquer sociedade mais evoluída. Precisamos de aprender a confiar em quem é digno dessa confiança, e sobretudo, a ser dignos dessa confiança. Mudar começa em nós e se queremos um Portugal melhor teremos de começar por trazer ao de cima aquilo que há de melhor em nós e nos outros.

6 thoughts on “O que os portugueses precisam de aprender com a Finlândia

  1. Foi isso, ou a “ameaça plausível” da cämara no tecto? 😈

    Mas é isso mesmo: numa sociedade de confiança e honestidade uma pessoa sabe que perde tudo se quebrar o “ciclo de confiança”, e por isso nas sociedade onde há mais confiança também há menos corrupçäo. É uma pescadinha de rabo na boca!

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  2. Mas olha que ao começares por dizer “mas você sabe que eu sou tuga” estás logo a confirmar o estereótipo! 🙁

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  3. Isso era apenas uma provocação, apontando ao óbvio – e ao mesmo tempo confirmando que eu não seria representado pelo estereótipo.

    É a mesma coisa que dizeres ao teu chefe, no dia em que ele se vai ausentar, “patrão fora, dia santo…” Ao dizeres isso estás a pôr a claro algumas suspeitas que ele possa ter sobre ti e ao mesmo tempo a passar a mensagem de que sabes o que aí vem e que, provavelmente, não tirarás partido disso.
    É uma forma de inoculação.

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