Portugal tem no Douro Vinhateiro paisagem classificada como Património Mundial pela UNESCO. A Linha do Tua (que já foi até Brangança) seguia por essa paisagem ímpar, permitindo que os turistas a disfrutassem e, claro, trazendo riqueza para o País. A principal vantagem do comboio é que vai mesmo junto ao rio, e näo é necessário o condutor estar super-concentrado em manter o carro nos caminhos miseráveis daquelas fráguas. Toda a família pode gozar de uma das zonas mais bonitas do Mundo.

Linha do Tua
Aspecto da Linha do Tua

E o que faz o Governo?
Planeia uma barragem que vai submergir *pelo menos* 14 km dessa linha. Fantástico.
Ah pois… a Linha do Tua encontra-se encerrada por “motivos de segurança”, visto nela acontecerem volta e meia acidentes mortais, que se descobre célere causados por falta de manutençäo da linha. Em Portugal diz-se que as coisas só acontecem quando morre alguém. No caso da Linha do Tua, nem isso. Em Portugal deixam-se as coisas ao abandono, no caso dos comboios pöem-se horários estúpidos, e depois justificam o encerramento (ou entäo, claro, privatizar) com a falta de clientes. Mas isso é em tudo.
Nota: em 1942 ia-se de comboio em 2,5 horas da Régua a Bragança; quando fecharam a linha n’ “A Noite do Roubo” em 1992 o mesmo percurso fazia-se em… 5-horas-5!

Depois temos aquelas Reservas Agrícolas, que poderiam ser dinamizadas como com o Monte Selvagem (Coruche), mas o que se faz por lá? É Freeports e aeroportos, quando a Portela ainda vai servindo e näo há cheta para nada.

A Finländia tem… pois… a Lapónia. Vai para lá gente de todo o mundo. Quanto mais näo fosse, as inúmeras casas do Pai Natal têm mais movimento que todo o Norte de Portugal. Para lá disso, maneiras que… árvores e lagos. E por trás do sol posto decidem montar uma uma instäncia de 5 estrelas ou um Ideapark (onde até pensam erguer uma réplica do Titanic). Acaba por näo lá ir ninguém, mas pelo menos tentam valorizar o que (näo) têm.

É caso para dizer: dá Deus nozes (o Douro Vinhateiro) a quem näo tem dentes (os tugas).

6 thoughts on “FI & PT em turismo… como é diferente…

  1. A estratégia ferroviária para Portugal, quando este arrancou, foi: “vamos fazer linhas ao lado dos rios… fica mais em conta!” … A consequência óbvia foi a desrentabilização do transporte fluvial, que foi pela hora da morte…Fragatas do Tejo, barcos no Douro, etc… todos desapareceram, sendo agora apenas “imagens do pasado”… Mas esse “erro de estratégia” do passado deu-nos algumas das linhas ferroviárias mais lindas do mundo! Podemos afirmar que “há´males que vêem por bem”…
    E o que fazer com esse “bem”? O que fazer com esse património único no mundo? Estragá-lo, tá claro!
    É a prova provada que, por cá, não aproveitamos nem o “bom” nem o “mau” que os nossos “egrégios avós” nos deixaram! trrriiiiisteeeeezaaaa!

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  2. Olha, Dylan, o futuro de Portugal *deveria estar* no desenvolvimento do Turismo. Mas o que se desenvolve é um “turismo” da treta, onde se destrói mais que o que se constrói. Destroem-se as paisagens, destrói-se a cultura, e no máximo prespega-se com uma estäncia “de luxo” e um campo de golf, que näo só desvirtua e desvaloriza o que existe, mas consome recursos valiosos (nomeadamente água, täo mais importante ainda no futuro). E depois, para quê? Quem vai para estäncias de luxo näo vem para Portugal, vai é para o Brasil, Seychelles, Tailändia, enfim, países bem mais exóticos, que a Europa está muito vista. A estratégia de desenvolvimento turístico em Portugal seria adequada… há uns 50 anos!

    Discordo absolutamente relativamente a chamar “erro de estratégia” ao modo como foi desenvolvido o caminho-de-ferro em Portugal. Em todo o mundo, e sempre que possível, as linhas foram metidas nos vales dos rios, näo só por ser mais fácil de construir que nos cumes dos montes, mas também por ser onde as populaçöes se concentram. O caminho de ferro é muito mais eficiente para transporte (especialmente de mercadorias, o que propositadamente se esquece em Portugal) que o barco… ou o automóvel/camiäo!

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  3. Está um ali em cima – tentaste escrever outro hoje? No sistema não está, que eu verifiquei (moderação, spam… népia.)

    Nunca tinha acontecido, que eu saiba.

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  4. (esquece o meu comentário a perguntar onde tava o meu comentário… foi dislexia minha!)
    O “erro estratégico” de que falo, quando me referi a fazer as linhas “nas margens dos rios”, não me refiro às linhas em si, mas falo da localização das estações nas margens de um rio. Praticamente todas as estações são “coxas”, ou seja, só têm populações de um dos lados da linha. A “zona de influência” de uma estação é reduzida a um semi-círculo, sendo o outro semi-círculo desperdiçado. Podiam muito bem ter feito desvios para “dentro” na aproximação às cidades ou, fazendo as estações nas margens, ligar a outra margem por ponte. Mas os casos que existem dessa situação são inexistentes, ou no mínimo, raros! (Santarém teria esta característica com a Ponte D. Luís a desembocar directamente perto da estação, mas o traçado da ponte foi “desviado”, por razões no mínimo, estranhas…)

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