Já todos devem saber do massacre de hoje em Kauhajoki. Um palerma (mais um) decidiu que a melhor forma de manifestar o seu repúdio pela vida seria aniquilar os seus colegas e professores. Em 6 anos este é o terceiro caso, sendo o anterior bastante similar no modo de operação: vídeos no youtube e entrada de surpresa na escola. Temo que não fique por aqui, o que menos faltam são palermas armados em copycat.

E também não faltam armas: a Finlândia é, depois dos EUA e do Iémene, o país com mais armas per capita. Este conseguiu a licença há um mês e teve tempo para colocar vídeos no youtube e fui até entrevistado ontem pela polícia. Os americanos que amam a sua liberdade de ter arma dizem que “guns don’t kill, people do” mas eu estou convencido que o verdadeiro problema está na combinação pessoas com armas.

Se fosse nos EUA estaria-se a falar de uma cultura de violência e de armas. Espero que os locais, tão críticos dos americanos, possam reflectir sobre as verdadeiras razões desta violência e não deixem sob o tapete dos casos isolados ou pior, da especificidade cultural.

Mais informação:
notícia no Público
Helsingin Sanomat (Em inglês, mais informação no rodapé)

27 thoughts on “O massacre de Kauhajoki

  1. O que falta é tomates, a começar pelo Vanhanen, que parece que só é homem por mensagens de telemóvel.
    E depois ao Katainen, que quer é cortar nos gastos de saúde, a começar por acompanhamento psicológico nas escolas a “estudantes de risco”.
    Mas quantos palhaços têm de fazer semelhantes coisas para realmente limitar a posse de armas?
    Ainda andam é com medo que os russos invadam?
    Estupores!

    Bem, mas no fim de contas falta tomates é a esta sociedade finlandesa:
    – os papás nunca dizem nada às criancinhas, näo väo elas ter um trauma, coitadinhas–chegam a dizer às educadoras para nunca lhes dizerem “näo”;
    – os papás gostam é dos seus “tempos livres” (muitas vezes só embebedar-se) e a canalha que ande nos deles;
    – os colegas que viram o vídeo no YouTube, em vez de lhe fazerem uma espera das antigas e lhe darem um grandessíssimo enxerto de porrada (AH! mas isso é no incivilizado Sul da Europa!), fiaram-se foi na bófia;
    – a bófia local, cambada de incompetentes, deixaram-no ir solto, näo o fossem tornar mais agressivo?

    Agora essa dos locais serem “täo críticos dos americanos”… a começar pelos automóveis, casinha de subúrbio, amor pelos antros de “comida” rápida…

    Nota: copycat = macaco de imitaçäo

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  2. Olha, estás por cá? Pensava que estavas na Nazaré senão tinha dado o teu contacto à jornalista da A1 que me telefonou de manhã (e me deu a notícia). Eu não sabia de nada nem pude ver na TV.

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  3. Bom, concordo com alguns pontos do António, mas há certas coisas que é preciso esclarecer bem. É verdade que a polícia devia ter sido mais competente, mas só pelo que estava no YouTube nunca iriam fazer nada, porque infelizmente, em todo o Mundo é preciso cometer um crime para tomar medidas.
    Por outro lado, o armamento não tem nada a ver. Claro que as facilidades às licenças são uma ajuda ao crime, mas a verdade é que se alguem tem vontade de matar alguém, não interessa se há legalidades para armas, compra uma no mercado ilegal e já está o “probleminha” dele resolvido.
    É uma tristeza, mas é assim!

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  4. Pois, mas é que “a ocasiäo faz o ladräo”. E se é fácil e legal adquirir armas do tipo que ele comprou, melhor para quem “quer fazer isto”.

    Talvez em Portugal haja um florescente “mercado ilegal de armas”, por enquanto aqui na Finländia isto anda nos eixos. Nesse aspecto a polícia até faz um bom trabalho. Talvez neste caso, como a arma foi adquirida legalmente, pouco (mais) poderiam fazer.

    Controlo destas armas JÁ! Que aquilo näo é para caça nem desporto!

    Bem, Sofia, entäo o que propöe? Que esperemos quietinhos que algum energúmeno nos mande desta para melhor, porque näo há nada a fazer, como bons cristäos esperando o martírio para aceder ao Paraíso eterno? Para mim, isso é conversa da treta!

    Se há indícios que um crime pode vir a ser cometido, como por causa dos vídeos, tira-se-lhe a arma, e quero vê-lo desatar depois aos tiros. Nem mais, porque se depois de lhe retirarem a(s) arma(s) ele för comprar outra no mercado ilegal (se houver), entäo a intençäo é clara, e aí até dá oportunidade de apanhar traficante conjuntamente.

    (ao António: escrevi “Nazaré” porque aparece no campo “Sítio”… é uma piada)

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  5. Mais acrescento, que näo me veio à idea:
    Portanto, só pelo que se viu no YouTube, a polícia nada pode fazer. Deixem-me que vos lembre do que se passou em Portugal aqui há pouco tempo:
    Em Portugal näo há pena de morte, nem para assassínio nem para roubo de bancos; mesmo assim, dois ladröes de bancos foram sumariamente julgados e executados pelo GOE, porque “havia perigo de vida para as vítimas”. Até compreendo.

    Agora o que näo compreendo é porque é que näo tiram a arma a um palerma que demonstra para o Mundo ver que näo faz uso dela nem desportivo nem de caça. Näo era preciso baleá-lo, bastava tirar-lhe o brinquedo. Queria vê-lo a matar 9 com uma navalha com a mesma facilidade…

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  6. “Bem, mas no fim de contas falta tomates é a esta sociedade finlandesa:
    – os papás nunca dizem nada às criancinhas, não vão elas ter um trauma, coitadinhas–chegam a dizer às educadoras para nunca lhes dizerem “não”;
    – os papás gostam é dos seus “tempos livres” (muitas vezes só embebedar-se) e a canalha que ande nos deles;
    – os colegas que viram o vídeo no YouTube, em vez de lhe fazerem uma espera das antigas e lhe darem um grandessíssimo enxerto de porrada (AH! mas isso é no incivilizado Sul da Europa!), fiaram-se foi na bófia;
    – a bófia local, cambada de incompetentes, deixaram-no ir solto, não o fossem tornar mais agressivo?”

    Concordo, a sociedade finlandesa dá tanto valor ao individualismo que é “insensível” meter-se na vida dos outros… os pais queres saber mais da carreira do que dos próprios filhos, porque eles “já são crescidinhos” e sabem tratar de si próprios.
    Eu não tenho muita experiência, nem de vida nem na sociedade finlandesa, mas tive a oportunidade de ja viver inserido nela uns bons 4 meses e deu bem para ver que as pessoas são demasiado individualistas (não me lembro da palavra em português) shy, não se expressam e quando “vivem a vida” é a embebedarem-se…

    concordo que haja uma certa liberdade para os filhos e também para os pais nos seus tempos livres, mas não concordo é muito com os pais terem filhos mesmo querendo continuar a estudar e trabalhar, se querem as duas coisas, tenham filhos mais tarde!

    espero não ter ofendido ninguém daqui da comunidade, esta é apenas a minha opinião e aposto que se há algum português a viver aí que esteja na mesma situacao vai dar mais “apoio” aos filhos do que um finlandês por causa do seu “background”

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  7. “O de costume” não percebeu a minha ideia…
    Não defendo ficarmos sentadinhos à espera do maluquinho do machado (ou neste caso, do maluquinho da pistola), até acho que coisas deveriam ser feitas.
    Más educações, pais descurados e imersos nas suas vidas sempre vai existir, e infelizmente, é um dos preços para alguém que “quer ter sucesso na vida”. Portando podiam ser tomadas medidas legais.
    Eu proporia neste caso fazerem rusgas a armas ilegais, tornarem a aquisição de armas muito mais complicada, e não me refiro a passar da idade legal ser 15 aos 18, senão refiro a um periodo de espera de 1 ano, no qual se fariam testes à sanidade mental do indivíduo!!
    Pode parecer medidas obsoletas ou muito trabalhosas para se porem em práctica, mas tenho a certeza que algo deveria resultar.

    Mas no caso do rapaz autor da massacre… Claro que se lhe podia haver tirado a arma, mas não o impedia de arranjar uma passado pouco tempo e voltar a fazer o mesmo. E como iam prendê-lo se ele não resultava uma ameaça directa à sociedade??
    Aliás, há pessoas que coleccionam armas, não por desporto nem caça, mas porque simplesmente vêm isso como uma arte. Essas também deviam ser consideradas perigosas por fazerem coleções em vez de usarem-nas em desporto ou caça?
    Há comportamentos psicóticos que passam despercebidos, apenas um profissional poderia notá-los.

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  8. Pode que não seja a melhor maneira, porque não é. Uma vez que ele era mas é Doente mental. Mas há pessoas que não valoram o que têm. Vive num dos países mais avançados do Mundo, estudava, se vivia bem ou não, isso não sei, mas de certeza que não passava nem fome nem necessidades, portanto bem podia deixar de lado as raivas e os ódios, porque já era um afortunado. No fundo sempre foi um pouco “palerma”

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  9. Apenas duas notas que considero serem pertinentes:

    1-A Finlândia pode ser um país evoluído em muitos aspectos, no entanto importa perguntar que tipo de evolução é esta dos países ditos desenvolvidos. Em que princípios assenta esta evolução e quais os seus efeitos colaterais?

    2-Será que podemos pôr todas as necessidades do ser humano no mesmo saco? Por exemplo, não sentir fome é condição suficiente para não sentir tristeza ou raiva? Ou existem vários níveis de necessidades humanas mais ou menos relacionadas entre si mas com suficiente grau de autonomia para haver um desfasamento entre elas?

    Considero que este acontecimento poderia servir para questionar o caminho que se está a trilhar actualmente nos países desenvolvidos e qual a articulação deste caminho com as necessidades das pessoas.

    É por isso que sustento que esta realidade em tudo exige uma paragem reflexiva abrangente e aprofundada, muito mais aprofundada do que refugiar-se no insulto a Matti Saari.

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  10. Francisco.
    tens no P&I do förum a info (só para membros) necessária para se quiseres publicares no corpo do blog.

    O teu primeiro comentário proporcionou-me uma bela gargalhada mas olha que não estou aqui para insultar ou resolver o que quer que seja deste problema. Observo, apenas.

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  11. Pingback: Aquela voz « Há Mouro na Costa

  12. Não acredito que o problema seja cultural. Ou então todos os problemas são culturais e não há cultura que escape.
    Ser fechado e isolado (ser finlandês) não “sugere” que se possa matar o “vizinho”; ter o mínimo garantido p’lo sistema não “sugere” que se possa matar o “vizinho”; milhões de miúdos por todo o mundo crescem sem família e isso não lhes “sugere” que possam matar os “vizinhos”.

    Estas fatalidades não se preveêm… há cabeças que às páginas tantas, simplesmente, fundem. É lamentavel, mas é a realidade.

    O caminho, será, eventualmente, evitar que isto se torne “tendência”…

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  13. Olha, Francisco, até tens razäo. O que esse energúmeno é/foi define-se por “assassino”.

    E muita sorte tens se näo levares uma ediçäo no comentário, que esta lista näo é feita para fazer panegíricos a criminosos. “Palerma”, realmente, é pouco. Pelos vistos é elogio, e näo insulto.

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  14. Pois eu não concordo com o Francisco, apesar de certas coisas que dizem estarem certas. Mas já pensaram que a fome e a violência são os maiores problemas do Mundo?
    Não digo que quem não passa fome tem de ser feliz, mas devia, porque há que pensar nas coisas boas que temos e que a muitos lhes carecem.
    Fogo, começo a ficar irritada, daqui a nada o coitado é o assassino!!

    Se toda a gente vivesse feliz com tudo o que tem, poderiamos parar para olhar para as necessidades de pessoas que não têm tanta sorte em vez de agarrarmos numa arma e matar pessoas inocentes, mas não, a maioria não consegue desfrutar, a Finlândia é um bom país no fundo, mas as pessoas só lhe veem defeitos e parece que começam a ficar “doentes mentais”.
    Porque esse rapazito era doente mental, um psicópata, mas tudo deriva do que eu aqui tento dizer: Que não tinha preocupações verdadeiras da vida!

    Mais pena eu tenho dos afectados por guerra e por catástrofes naturais doque pessoas assim.
    Se não passar fome é um problema, então deixemos de comer, porque assim secalhar a sociedade vivia mais feliz não??

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  15. Näo, caro António, näo estou a sugerir nada do que estás a sugerir que estou a insinuar.
    Agora que me irrita vir alguém referir o assassino pelo nome próprio–dando-lhe a publicidade grátis, que era o que ele queria–por ter engulhos de que coitadinho o assassino está a ser ofendido, ai isso irrita. E como eu até fui maltratado na escola, vê lá se näo é melhor eu me ficar por ediçöes de comentário…

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  16. A mim gozaram-me a torto e a direito e também me bateram algumas vezes, e não me armei em coitadinha e comecei a balear toda a gente à minha frente… Defendi-me e depois passei por cima deles e adoptei o desprezo!

    Não há desculpas para o menino, mesmo que fosse doente

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  17. Defendo que este tipo de espaços serve essencialmente para discutir ideias de um ponto de vista crítico, e discutir ideias criticamente não implica obrigar os outros a concordar connosco. Do meu ponto de vista ganharíamos em cultivar um espaço onde se possa partilhar opiniões diversas sem se ofender ou irritar com uma opinião que aparentemente não coincide com aquela que defendemos.
    Digo aparentemente porque muitas vezes o que acontece é apenas uma discordância à superfície. Senão vejamos: tudo o que disse até agora não pretendeu ser uma defesa de qualquer das partes envolvidas no acontecimento. Desta forma não entendo os sinais de protesto contra uma suposta parcialidade no meu comentário.
    O António disse que este blogue se limita a observar. A observação, na minha opinião, pode ser interessante mas só se servir como uma plataforma embrionária para pensar aquilo que foi observado. Daí que, sustento, ao ficar-se pela simples observação do cenário observado se está a cair num terreno estéril.
    Dizer que Matti Saari é palhaço, palerma, energúmeno, assassino, monstro, anormal, Hitler, etc é uma atitude de observação, uma observação com marcas de revolta e condenação moral ao acto mas uma observação exclusivamente, que pode muito bem ser um elemento de catarse após a tragédia mas pouco adianta à discussão de fundo que sustento ser essencial. Lembra-me por exemplo certas facções políticas bem nossas conhecidas que não hesitam em condenar uma qualquer medida mal sucedida do governo mas que se silenciam abruptamente quando questionados acerca do caminho a seguir no futuro. Por isso lanço o desafio, não se silenciem. E não se irritem.

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  18. Francisco, a mim a única coisa que me pode irritar é confundirem este blogue com os seus autores. Esta entrada é minha e representa-me somente a mim. E obviamente não discuto o meu direito de observar apenas.
    Se quiseres ir além do “terreno estéril” podes, como qualquer membro desta comunidade, publicar as tuas opiniões, tal como já tinha dito.

    Mas não te iludas. Os poderes vigentes não permitirão que quase nada seja alterado e, no máximo, sacrificarão a “liberdade de porte de arma” em oferenda à opinião pública desorientada. Se fosse lá fora na América via-se logo que as armas são um problema mas aqui há que caçar e “defender o país do invasor russo” e as cedências serão cuidadosamente negociadas de forma a fazer parecer grandes concessões.
    Mas, toda a organização e doutrina do estado permanecerá inalterada, não interessa a ninguém mexer com eles.

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  19. Francisco , tem razão, cada um tem direito à sua opinião. Só acho que hoje em dia ninguém valora o que tem e se deixa levar pela depressão, pelo ódio, como esse rapaz. E é algo que não pode acontecer.

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  20. Mais depressa eu falasse:

    “The Finnish Medical Association (FMA) is taking the position that it is not possible to evaluate the mental health of a gun licence applicant with no more than a regular health care centre examination.

    The medical association is opposed to further increasing the workload of health care centre physicians with the responsibility for issuing certificates of mental health for gun licence applicants.

    (…)
    Holmlund: gun ban would not have prevented shootings

    Interior Minister Anne Holmlund says she does not believe that withholding licenses for handguns as a first firearm would have prevented the Kauhajoki shootings.

    The Minister said that first licenses for handguns were not prohibited after the Jokela shootings last November, because new regulations governing gun licenses had just been introduced. New directives launched by the interior Ministry call for applicants to have one year’s membership in a gun club before a handgun license is granted.

    Holmlund admits that it would be a challenge for physicians to evaluation permit applicants, but that the police need information about any possible mental health problems.”

    Nem o controlo das armas farão. Que hipócrita a ministra e ninguém ousa levantar-lhe a voz. Vai-se a ver a culpa é da policia que na segunda feira nao lhe tirou a arma…

    Noticia completa está aqui mas não por muito tempo: http://www.yle.fi/news/id103162.html

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  21. …Eu só chamo a isto: consequência de excesso de desenvolvimento!!!

    Ele tem é tempo a mais para pensar em parvoíces E dinheiro a mais para gastar (em comprar armas)… e uma enorme falta de princípios e valores, provavelmente por falta de acompanhamento por quem devia ter tado com atenção às actividades “manhosas” e ter dado umas boas lambadas no focinho quando ele começasse a ter indícios da paranóia…

    Por cá os “inadaptados” da escola não têm tempo para mais nada senão estar a dar ao litro num trabalho que têm que estar de bolinha baixa, senão ao fim do mês nem dinheiro para comer têm…

    se ele precisasse de trabalhar como deve ser, vergar a mola e chegar a casa estafado, não tinha tempo para pensar em massacres nem fazer vídeos para meter no youtube…

    não é solução viver assim… mas ao menos não tinha tempo para estas “actividades extras”!

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