No país do bem-estar e conforto material (e social), uma das coisas que me chamou a atenção foi o enorme número de lojas de artigos em segunda mão que existem aqui na Finlândia. E o correspondente enorme número de pessoas que a elas recorre…
Quando vivia em Portugal nunca comprei nada em segunda mão, que me lembre. Quanto muito fiquei com coisas que pessoas conhecidas me ofereciam.
Suponho que em Portugal se associe muito o recurso a artigos usados com os “pobrezinhos”? E como ninguém quer passar por pobre, só se quer comprar novo? Cá acho que não há muito esse estigma… aliás muitos chamam a estas lojas de “lojas de reciclagem” o que até dá um ar politicamente correcto à coisa 🙂
Aqui, quando visito essas lojas, as pessoas que lá estão têm um ar muito normal. Normal, quer dizer, não têm ar de quem acabou de estacionar o Jaguar para entrar na loja, mas também não têm ar de quem conta os trocos para poder pagar a água e luz ao fim do mês…
Quando vivia em Tampere e precisei de comprar alguma mobília para a casa, pensei duas vezes antes de gastar um balúrdio para comprar coisas de que provavelmente me teria de desfazer daí por um ano ou dois. E fui a uma destas lojas. Das pechinchas que lá encontrei saliento: uma cama (estrutura) por 40 euros; um espelho meio-corpo por 17; tábua de engomar por 7, uma secretária por 25 e cadeira de escritório por 12; um microondas por 5, e uma mesinha de cabeceira por apenas… 3!
Já em Helsínquia também comprei uma bela cadeira de escritório por 10 euros, e uma frigideira de panquecas pela ninharia de 1 eurito…
Com as poupanças houve mais disponibilidade para ir ao cinema, viajar, ter uns devaneios de gourmet e comprar comidinhas especiais… passei a comprar mais comida FairTrade e “biológica”.
Por curiosidade, nas minhas visitas a Portugal tenho passado por algumas lojas de artigos usados, e o que constatei foi que lá, os preços são exorbitantes (!!!) se comparados aos preços das lojas de cá. Em Portugal compra-se usado quase ao preço do novo… se formos a pensar na carteira, mais vale ir ao IKEA…
Bom, mas este post vem a propósito do quê?… ah, é que me enviaram há uns dias este link, sobre o consumo desenfreado instigado pela cultura norte-americana…

Eu vi esse link recomendado n-vezes e ainda não me dei ao trabalho de o visitar… talvez depois desta tua dedicatória 🙂
Só para provocar, o nosso consumo desenfreado tb é instigado pela cultura norte-americana? 🙂
Olha, António, se näo te conhecesse iria apenas perguntar se estavas a tentar arrebatar o prémio Nobel da idiotice… que estás a tentar com essas provocaçöes?
Capaz, deve ter sido em Ponte de Lima que nasceu o conceito da comida rápida… ou que se passe a vida no centro comercial…
Olha, no Domingo, quando se pöde ver os canais da TV1000 à borla, vi o filme “Naçäo da Comida Rápida” (“Fast Food Nation”). Olha, por acaso foi feito por americanos! Quem diria, né?
Lá por o conceito ter nascido nos EUA, não faz de nós ecologistas que passemos o tempo a mandar tiradas aos americanos enquanto atiramos mais lixo para a pilha enorme que já temos no quintal… Os MAcs, Burger kings, podems er americanos mas por cá o que vejo são finlandeses a consumir 🙂
Uma coisa que eu ainda não percebi é porque é que a reciclagem aqui ainda está tão pouco desenvolvida… começa a fazer-me impressão deitar tanta embalagem de plástico para o lixo… e as garrafas que não têm depótsito também…
António: ainda näo achindraste que a Finländia é uma colónia cultural dos EUA? Onde viverás? Töölö?
Depois, se mandam as garrafas sem tara para o lixo, façam como eu… väo na mesma com as outras para a máquina! Até as trazidas de Portugal!
Na Alemanha, cada casa parece que é obrigada a ter umas 5 divisöes para o lixo. Aqui säo só 2 (“bio” e “outro”), mas nos prédios häo caixotes específicos para cada tipo de lixo (näo deve ser só no meu :D).
E häo centros de reciclagem (“sorttiasema”) onde levar os electrodomésticos velhos, e por aí fora.
Na Finlândia, quem quer reciclar, pode.
E quem quer comprar aqueles horrorosos “Humvee” só porque é grande, também pode. Eu é que acho que automóveis “esponja de gasolina” deviam ser ainda mais altamente taxados, só isso.
pelo que eu percebi, a reciclagem de garrafas de plástico aqui não passa pela fundição do plástico para fazer novo, passa pela “desinfecção” da garrafa e voltar a encher.
Se não há um sistema de recolha das garrafas sem tara, não adianta muito metê-las na máquina… além de que eu já tentei isso e a máquina não mas “engoliu”
Home, ninguém está a negar que os americas são uns cabrões de uns consumistas poluidores. O que estou a dizer é que somos nós os responsáveis pelo que fazemos, incluindo esta vergunhosa classificação.
A classificaçäo que o António refere é “per capita”.
Quando um dia chamei a atençäo a isto a um finlandês, a resposta foi “é normal… somos só 5,5 milhöes, e temos imensas fábricas de papel, o que contribui para que tenhamos uma pontuaçäo täo alta nesse aspecto.”
Pronto… como se isso tornasse tudo normal.
O problema näo é especialmente o contributo dos EAU… mas os do EUA, que säo uma naçäo de “apenas” 300 milhöes de almas, e mesmo assim säo os segundos em termos de lixo/cabeça!
Quanto à máquina näo engolir… estranho… as minhas garrafas sempre foram sorvidas!
Mas é verdade, na área de Helsínquia näo há reciclagem de plástico… tá mal!
…Em portugal, se queremos coisas usadas/velhas, para comprar e vender… só temos a Feira da Ladra, 3as e sábados de manhã 😉
Poucos são os que são capazes de “suportar a vergonha” de comprar coisas usadas… “não fica bem, já viu se alguém sabe que eu tenho coisas usadas em casa?” É preferível abrir uma linha de crédito e comprar tudo novo, tudo topo de gama claro! Aquele televisor que “só” tem HD ready (saiu já o mês passado) já não serve, tem que ser o plasma multi surrround sound 20.5 colunas de 10 000 watts…
Ficar afundado em linhas de crédito atrás de linhas de crédito é preferível do que “aparentar” não ter dinheiro para comprar as coisas todas de uma vez… note-se este detalhe: TODAS de uma só vez!!!
…e quem o faz (como eu) achei engraçado alguns “olhares de lado” reprovadores quando disse que todos os electrodomésticos que tenho em casa são usados… nomeadamente de quem tem (ainda) menos posses que eu!
Ora estou aqui há pouco tempo mas já reparei que os finladeses são muito cuidadosos relativamente ao ambiente e também acho que´há uma cultura de poupança.
Eu acho muito bem a forma deles realizarem a reciclagem
Muitos dos problemas que Portugal tem, estão aqui resolvidos.
E estou a ver que é uma questao de cultura . Portuga precisa de um choque cultural e não de um choque tecnologico.
Ainda assim acho que continua a faltar recolha de embalagens (como nos Ecopontos em Portugal) que estão sempre presentes em vários produtos sem possibiidade de serem reutilizados.
Até agora ainda não encontrei nenhum ponto de recolha, se alguém souber…
Sim eu tenho um centro de recolha mesmo à porta.
Até tirei um fotografia
Ó Ricardo, manda essa foto ao administrador da rede António, que depois junta-se aqui à entrada, ou entäo ao próprio comentário (ele sabe como fazê-lo).
Nos dias de hoje, temos de saber que as preocupações ambientais são fundamentais e os nossos comportamentos têm de ser alterados para conservar e proteger os recursos naturais.
É fundamental desenvolver uma consciência ecológica e exemplos como estes são pequenos gestos que fazem toda a diferença!
Resta transportar estas práticas para outras áreas da nossa vida e assim ajudar na preservação do ambiente.
Convêm estarmos informados sobre estas assuntos que cada vez mais vão fazer parte dos nossos dias.