H� medida que exercitamos a capacidade de observar � dist�ncia os nossos pr�prios actos e atitudes, ou pelo menos submetendo-os com a mesma intensidade ao crivo que aplicamos aos nativos, podemos notar em n�s certos comportamentos menos positivos. A �ltima decorreu h� uma semana, num jogo de futebol.

De um lado Ibero americanos, do outro quase s� nativos, 5 contra 5. � medida que novos candidatos foram chegando as equipas foram crescendo. O primeiro foi um finland�s, com aspecto de pro que pediu para jogar. “Espera um pouco, estamos 5 contra cinco”. “Isto n�o � para nenhuma ta�a” retorquiu mas esperou. Chegam dois adolescentes, um para cada lado. O nosso homem recebe indica��es contradit�rias e volta a mandar vir. Mais dois, sete de cada lado e este vosso amigo lembra-se de sugerir que uma das balizas fosse afastada. O nosso homem n�o percebeu e perante mais uma s�rie de hesita��es e indica��es contradit�rias acaba por se ir embora. “Nunca vi disto em lado nenhum”.

A nossa “competitividade” manifestava-se a cada lance duvidoso, a cada bola que cruzava o risco, a cada bola no bra�o ou bra�o na bola. Foi falta, � lan�amento? Do outro lado preocupavam-se apenas em jogar e condescendiam em situa��es duvidosas.
N�o quer isto dizer que n�o sejam competitivos, apenas que este n�o era o local para isso.

No tradicional gesto que se me ocorre em cada 25 de Abril, lancei-me demanda de um singelo cravo, para ornar minha lapela e mesa de trabalho.

Numa florista do centro pediam-me 2,5 por cada cravo, em Kamppi 2,7; na R. Runeberg (onde o 8 se separa do 3) queriam s 2, mas no havia em vermelho (foi pena!). J perto de casa, novamente 2,5.

Rebusquei os bolsos. Tinha esquecido o plstico e creditcio carto, s tinha uma moeda de 2. Mais 0,02, mas esses no so aceites neste pas.
Disse menina “Olhe, s tenho isto. pegar ou largar…” ao que ela replicou “Ai no!”.
Pronto, ficamos todos a perder. Eu, porque fico sem cravo; ela, porque fica sem o vender.
Sim, da maneira como estava aberto, resplandecente, querendo celebrar convenientemente o dia inicial inteiro e limpo, pouco mais hipteses teria de o vender.

Em termos econmicos, a empregadita (talvez se fosse a dona da loja–vulgo “empresria”–a reaco fosse diferente… ou no, que afinal estamos na Finlndia!) trocou a realidade de ganhar, digamos 0,5 de lucro, pela expectativa de ganhar 1 num futuro prximo.
T bem, abelha!
Se o dito cravo estivesse em boto, ou pouco aberto, ainda concordaria, agora assim…

molho de cravosDesiludido, mas no derrotado, acabei por entrar no Mercado-S aqui do “bairro”…
… pois eis que ao endireito das caixas, entre ramos sortidos de mltiplas flores, estavam molhos de cravos prpuras, vermelhos, brancos, j compostos! Sabem a quanto? 3!!!
Por acaso, a minha vizinha estava a pagar, e emprestou-me o “areo” remanescente.
Mesmo se tal no acontecesse, estava a 2 minutos de casa, era um pulo at rectificar o meu pecnio.

Neste momento tenho rubros cravos na lapela, na sala, na mesa de trabalho, no escritrio.
Num total de 20.

Mal comparado, entre 1 cravo “grande” e 16 “mdios” por 2,5… o que escolheria o leitor?
Moral da histria: com comrcio tradicional assim…