25 Abril 08E para quem foi feito o 25 de Abril, seno para as novas geraes?

Obviamente, esta entrada deveria ter aparecido ontem. Mas por obra e graa de algum “reaa” informtico 🙂, o acesso ao blogue encontrou-se-me vedado.

Entretanto, no Parlamento, o PR mostrou-se “impressionado” com ignorncia dos jovens sobre o “Dia da Liberdade” (ler aqui).
Est bem, sr. PR, ficam-lhe muito bem esses sentimentos. Ento antes de tudo venha a terreiro e explique aos jovens porque tem engulhos de colocar lapela a smbolo ulterior da Revoluo que trouxe a liberdade a um pas cinzento e atrasado.
A todos os portugueses, novos e velhos, da esquerda direita.

difcil explicar a um finlands, por exemplo, porque que s as pessoas mais “ esquerda” celebram esta data histrica (com vigor). No tanto porque a esquerda se tenha apropriado do 25 de Abril, mas porque a direita se tenha “desapropriado” dele. Na minha opinio, isso que est errado. A direita deve deixar de ter vergonha e celebrar a vitria da liberdade contra a ditadura, lado a lado com a esquerda.
A liberdade, afinal, deve ser um valor transversal poltica!

Na mitologia finlandesa Sampo era um artefacto magico que trazia boa fortuna para o seu dono (wikipdia). Nos dias que correm Sampo o nome, entre outros, de uma marca de fsforos propriedade de uma empresa sueca e de um banco comprado pelos dinamarqueses do Danske Bank. caso para dizer que os suecos levaram-“nos” o fogo e os dinamarqueses o crdito.

Um ano aps a compra os dinamarqueses decidiram que era tempo de harmonizar a tecnologia e de migrar os sistemas informticos do Sampo Pankki para a casa me; vai da decidiram investir milhes de euros para fazer aquilo que efectivamente um downgrade. A coisa correu mal e milhares de clientes, entre os quais eu, foram afectados com contas sem dinheiro, problemas nos juros, custos de transaces absurdos, transferncias no efectuadas, etc. Ainda sexta-feira um dos dirios gratuitos reportava na primeira pgina que a AI estava em dificuldades por causa do banco. Acompanhava a fotografia lacnica uma foto de uma fachada do banco “A mudana tambm tem uma direco. Para melhor“.

Por terras de Hans Christian Andersen acha-se que os finlandeses so uns chatos exageradores e, aparentemente, os clientes do Sampo so demasiado avanados tecnicamente para aceitarem estes problemas. A verdade que milhares de clientes j deixaram o banco e se as coisas no melhoram tambm eu avaliarei as minhas opes. Ler coisas como estas, no ajuda nada a manter o pouco crdito de confiana que ainda dou ao banco.

Durante o fim de semana algumas nuvens pousaram sobre o futuro do PM Matti Vanhanen. Um jornalista sueco (de origem e lngua finlandesa) num golpe de publicidade publicou em linha as mensagens que Vanhanen enviou ex-namorada (a histria est no frum). As mensagens so fortes, para maiores de 18: ao lado das sms’s do PM, as mensagens de Kanerva so brincadeira de crianas.
As mensagens no podem, por ordem de tribunal, ser publicadas no pas e os tablides fizeram grande algazarra perante a perspectiva de as ver por c publicadas revelia do poder. Talvez o patriotismo tenha moderado os jornalistas porque no dia seguinte j se viravam para o mensageiro – seria uma mancha irreparvel permitir que um sueco abalasse as fundaes do poder executivo.

Vanhanen disse que no estava envergonhado, e faz muito bem, todos temos direito aos nossos momentos de boalidade adolescente. Do que ele devia ter vergonha era do pedido que, alegadamente, fez rapariga:
Ele pediu-me para mentir. No queria que se soubesse que nos conhecemos num chat de internet, queria que eu dissesse que nos encontramos por entre as prateleiras da Ikea.

Pediu para mentir por isto? Namorar na internet no tem mal algum – imagine-se o que seria o calmeiro do PM na pista de dana do Presidentti a fazer-se s febras. J ir para a Ikea engatar…

Era uma daquelas situaes que os economistas passam a vida a descrever mas que raramente so visveis na realidade: o produtor que desce o preo do seu servio, para um preo exactamente igual ao mximo que o individuo est disposto a pagar pelo seu consumo.
Imaginem a curva da oferta e da procura que se cruzam nos 15 euros. Foi o que (quase) aconteceu esta semana: assim que a senhora do “cabeleireiro de Sevilha” colocou c fora um anncio com a promoo de um corte por 15 euros lembrei-me imediatamente que estava a precisar de um. O cabelo est a crescer desde a ltima vez que isso aconteceu, uma promoo “das frias”, j l vo alguns mesitos.

Acontece que este anncio era discriminatrio das senhoras, a oferta de 15 euros era para “corte de homem“. E era aqui que eu queria chegar: “The Ombudsman for Equality and the Consumer Ombudsman emphasize that pricing should depend on the service performed for the customer, not gender.” Ou sejam estes senhores querem negar o que j toda a gente sabe: as mulheres esto, regra geral, dispostas a pagar mais por um corte de cabelo do que os homens.

Escrevi era porque hoje, quando finalmente me decidi a cortar o cabelo, o anncio havia desaparecido do cabeleireiro e temo que no regresse nos prximos tempos. O corte ser inevitvel nas prximas semanas e, ao preo a que os cortes de cabelo esto por estas terras, arrisco-me a pagar por um “corte de senhora“.