Este fim-de-semana apercebi-me de que em Portugal correu o boato de que “a ajuda a Portugal foi o tema dominante das eleiçöes legislativas finlandesas”.
É certamente óptimo para a auto-estima de um país à beira do abismo (TBC ser “ajudado” pelo FMI) que se pense que se é o ponto fulcral na política de um país que, apesar de tudo, é avançado socialmente e desafogado financeiramente.

Lamento desiludir-vos. Portugal näo contou para o totobola.

Falou-se em Portugal? Falou, mas foi a cereja em cima do bolo. A verdadeira questäo nestas eleiçöes foi a política económica seguida nos últimos 4 anos pelos conservadores do Kokoomus, que aliás foi bastante fustigada internamente por um antigo ministro das Finanças e candidato presidencial do partido Niinistö. Porquê?
A “dieta do Estado” começou em 2007, em tempo de vacas gordas. Os cortes nos serviços públicos e nas prestaçöes sociais multiplicaram-se, mas (como nos EUA de Reagan e RU de Thatcher) o défice orçamental aumentou e disparou a despesa pública. O fosso social cresceu consideravelmente. O comum cidadäo näo deve ter reparado, porque o desemprego andou baixo e os salários foram crescendo alguma coisa, tanto que os conservadores passaram logo a 1.a força nas eleiçöes locais de 2008. A deriva neoliberal assim sufragada aprofundou-se, mas entretanto a crise mundial chegou ao país. Näo se criou margem de manobra em tempo de bonança (a tal crítica de Niinistö), entäo em tempo de crise a coisa corre mal. E os cortes sociais chegaram ao cidadäo comum, que de repente apercebeu-se que os ricos estäo mais ricos e os pobres mais desempregados. Esse foi o grande tema eleitoral.
Portugal entra ao barulho porque, ao mesmo tempo que o Governo anuncia cortes a eito nos serviços públicos e prestaçöes sociais “ai temos que poupar”, defende que se deve “ajudar os países em crise”.
AHN? MEKÉ? Entäo andamos a apertar o cinto para oferecer o dinheiro poupado aos bancos e políticos mafiosos do Sul? Era só o que mais faltava! – diz o povo.
E parece que por Portugal se pensa que säo os populistas os únicos a näo querer emprestar. O que näo é verdade, já que neste momento NINGUÉM quer emprestar dinheiro a Portugal. A direita porque näo sabe se lhes pagam de volta, a esquerda porque acha que os bancos já levaram dinheiro a mais.
Näo é por ser para Portugal, é por ser para quem criou a crise. Eles nisso säo muito… ecuménicos.

Esta situaçäo foi sempre historicamente terreno fértil para populistas, e aqui näo se fugiu à regra: os “Verdadeiros Finandeses“* usam a retórica anti-emigrante, anti-UE, mas também anti-“velhos partidos” por via de um líder bem-falante e carismático, que é 95% do partido. A sua vitória é a vitória do voto de protesto.
De facto eles säo nacionalistas. Ao mesmo tempo defendem o Estado social, e por isso captaram muitos centristas e alguma esquerda descontente. Economicamente socialistas e socialmente nacionalistas. Nacional-socialistas, portanto. E é isso que eles säo, no fim de contas. Agora que os seus deputados têm de prestar contas se veräo as suas verdadeiras intençöes.
E por isso também já häo muitos dos seus eleitores arrependidos, ainda nem passaram 24 horas de terem votado…

Perguntaram-me hoje de Portugal se a vitória dos Persut me incitaria a sair da Finländia. Respondi claramente “Näo!”, era só o que mais faltava. A mim näo me metem medo, e esta vitória, repito, näo foi do partido, foi só do seu líder.

* Traduçäo minha. “Perus” em finlandês pode ser “verdadeiro”, “primordial”, “básico”, “elementar”. Mas a piada pode-se fazer usando o termo “básico” e “elementar” no sentido de “grunho“, que é o que normalmente um candidato deste partido verdadeiramente é!

Os brasileiros, e alguns portugueses até, andam excitados com o último episódio South Park que, entre outros líderes do mundo, mostra Lula no seu gabinete no Palácio do Planalto. Não terão notado que Lula não foi tido nem achado quando se tratou de aniquilar a nação que ameaçava estragar o arranjinho.

Para perceber a história terão de ver o episódio completo, aqui fica o breve clip em que a Finlândia é apagada do mapa:

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Acho muito bem. O brandy é bem melhor. Ou conhaque, ou rum velho. Ou até espumante. Poder-se-à dizer, qualquer vinho, desde que seja bom, a acompanhar uma boa refeiçäo. 8)

É bom sinal, é sinal de que o rapaz se está a civilizar. Vodka/Viina, que ganda porcaria! 😡

O quê? Esperem… parece que afinal ele vai deixar de beber bebidas alcoólicas! 😯
Estamos lixados! Pois se o ano passado ele começou a cortar na pinga e foi o que se viu, entäo agora que vai passar a abstémio, deixa de saber completamente conduzir!
Ai valha-nos S. Gil Vilanova Mártir! 😕