Wine at supermarket

Someone had to say it: if money was the reason, Finnish pensioners would have already moved in masses to Portugal.

You see, your 100 euros in Finland have long been worth some 160 euros in Portugal. According to a recent price comparison from theguardian 100 euros in Portugal buys you as much as 158,5 in Finland (2014 prices). A recent opinion piece in YLE estimated that someone earning a 2000 euros pension could save up to 50 000 euros by moving to Portugal. I’m sorry but that really is a paltry when you consider the purchasing power on top of that: up to 140 000 euros in additional value if you spend the full 2k a month in Portugal. That makes 19k a year for the first 10 years, and “only” 14k after that (or about 11k after taxes, for a monthly income of 2000 euros).Perhaps privilleged former CEOs move there because of the extra savings, but is hard to imagine regular people are not enticed to leave Finland because of taxes.

Continue reading

Nokia Numa praia de Helsínquia o finlandês apontava para o outro lado da baía: “acolá fica a nossa sede. Também lá temos bastantes estrangeiros, e por vezes há alguns problemas da comunicação.” Já terão passado quase 10 anos e este fragmento da conversa que inadvertidamente ouvi, mas por alguma razão ela ficou-me na retina. Talvez pela forma como o local, provavelmente um engenheiro da Nokia, explicava com indesmentível orgulho ao visitante estrangeiro que a Nokia era uma “coisa nossa.” Na altura a Nokia era o líder indisputado do mercado e ninguém antevia o que estava para vir. A única possibilidade de a Nokia deixar a Finlândia seria por razões fiscais, e cujo fantasma a companhia não deixou de agitar, mas que ninguém realmente levava a sério. Se bem que sempre houvesse aquele receio…

A história da Nokia confunde-se com a história da Finlândia dos últimos 20 anos, como um pequeno e periférico país saiu de uma crise tão ou mais grave como aquela que agora afecta Portugal e o sul da Europa Continue reading

Por mero acaso, este ano até na Finländia o 25 de Abril é feriado. Que se celebre condignamente, e que se aproveite para reflectir sobre o que se está a passar em Portugal. Os jovens näo vêm grande futuro, e para as famílias a única coisa que cresce säo os juros das dívidas.
Liberdade e barriga vazia näo combinam, e däo mau resultado…

Para debelar a cryse, congelam-se as pensöes dos reformados… mas näo se tocam nos ordenados milionários dos gestores público. Entretanto o Governo deu mais uma toleräncia de ponto, para segurar uns poucos de votos. É a esta gente que o contribuinte finlandês tem de emprestar dinheiro? Entäo näo se admirem da recusa, e parem de pintar os finlandeses como os “maus da fita”.

25 de Abril SEMPRE, Fascismo nunca mais! Incluindo, claro está, o fascismo económico, o tal que se esconde sob a capa da democracia, e que é a maior ameaça à liberdade!

Este fim-de-semana apercebi-me de que em Portugal correu o boato de que “a ajuda a Portugal foi o tema dominante das eleiçöes legislativas finlandesas”.
É certamente óptimo para a auto-estima de um país à beira do abismo (TBC ser “ajudado” pelo FMI) que se pense que se é o ponto fulcral na política de um país que, apesar de tudo, é avançado socialmente e desafogado financeiramente.

Lamento desiludir-vos. Portugal näo contou para o totobola.

Falou-se em Portugal? Falou, mas foi a cereja em cima do bolo. A verdadeira questäo nestas eleiçöes foi a política económica seguida nos últimos 4 anos pelos conservadores do Kokoomus, que aliás foi bastante fustigada internamente por um antigo ministro das Finanças e candidato presidencial do partido Niinistö. Porquê?
A “dieta do Estado” começou em 2007, em tempo de vacas gordas. Os cortes nos serviços públicos e nas prestaçöes sociais multiplicaram-se, mas (como nos EUA de Reagan e RU de Thatcher) o défice orçamental aumentou e disparou a despesa pública. O fosso social cresceu consideravelmente. O comum cidadäo näo deve ter reparado, porque o desemprego andou baixo e os salários foram crescendo alguma coisa, tanto que os conservadores passaram logo a 1.a força nas eleiçöes locais de 2008. A deriva neoliberal assim sufragada aprofundou-se, mas entretanto a crise mundial chegou ao país. Näo se criou margem de manobra em tempo de bonança (a tal crítica de Niinistö), entäo em tempo de crise a coisa corre mal. E os cortes sociais chegaram ao cidadäo comum, que de repente apercebeu-se que os ricos estäo mais ricos e os pobres mais desempregados. Esse foi o grande tema eleitoral.
Portugal entra ao barulho porque, ao mesmo tempo que o Governo anuncia cortes a eito nos serviços públicos e prestaçöes sociais “ai temos que poupar”, defende que se deve “ajudar os países em crise”.
AHN? MEKÉ? Entäo andamos a apertar o cinto para oferecer o dinheiro poupado aos bancos e políticos mafiosos do Sul? Era só o que mais faltava! – diz o povo.
E parece que por Portugal se pensa que säo os populistas os únicos a näo querer emprestar. O que näo é verdade, já que neste momento NINGUÉM quer emprestar dinheiro a Portugal. A direita porque näo sabe se lhes pagam de volta, a esquerda porque acha que os bancos já levaram dinheiro a mais.
Näo é por ser para Portugal, é por ser para quem criou a crise. Eles nisso säo muito… ecuménicos.

Esta situaçäo foi sempre historicamente terreno fértil para populistas, e aqui näo se fugiu à regra: os “Verdadeiros Finandeses“* usam a retórica anti-emigrante, anti-UE, mas também anti-“velhos partidos” por via de um líder bem-falante e carismático, que é 95% do partido. A sua vitória é a vitória do voto de protesto.
De facto eles säo nacionalistas. Ao mesmo tempo defendem o Estado social, e por isso captaram muitos centristas e alguma esquerda descontente. Economicamente socialistas e socialmente nacionalistas. Nacional-socialistas, portanto. E é isso que eles säo, no fim de contas. Agora que os seus deputados têm de prestar contas se veräo as suas verdadeiras intençöes.
E por isso também já häo muitos dos seus eleitores arrependidos, ainda nem passaram 24 horas de terem votado…

Perguntaram-me hoje de Portugal se a vitória dos Persut me incitaria a sair da Finländia. Respondi claramente “Näo!”, era só o que mais faltava. A mim näo me metem medo, e esta vitória, repito, näo foi do partido, foi só do seu líder.

* Traduçäo minha. “Perus” em finlandês pode ser “verdadeiro”, “primordial”, “básico”, “elementar”. Mas a piada pode-se fazer usando o termo “básico” e “elementar” no sentido de “grunho“, que é o que normalmente um candidato deste partido verdadeiramente é!

rebuçados dr bayard Os rebuçados peitorais para a tosse do Dr. Bayard são uma instituição já com 60 anos de vida. A receita porém, composta de açúcar, glucose e mel dissolvidos num chá de plantas medicinais, continua no segredo da empresa que os produz.

Até hoje. Eu revelo aqui a verdadeira essência dos rebuçados Dr. Bayard. Não só o sabor é o mesmo como é mesmo bom para a tosse:

Continue reading

Um ivestigador concluiu: Portugueses muito tolerantes com a corrupção

Excertos do artigo de jornal:
“a corrupção estilo “Robin Hood” (que favorece os mais fracos) ainda tem uma grande aceitação na sociedade portuguesa. Facto que é sintomático “de uma cultura cívica ainda muito assente na satisfação de necessidades básicas”.

Ainda segundo os estudos que revelou aos deputados, a definição social de corrupção dos portugueses “é algo restrita” e “propícia a que estes escolham frequentemente fazer mais do que a Lei permite e menos do que a ética exige”.”

Mas desde quando é que a corrupção pode servir o bem comum?

Assim nunca saíremos da cepa torta…