Wine at supermarket

Someone had to say it: if money was the reason, Finnish pensioners would have already moved in masses to Portugal.

You see, your 100 euros in Finland have long been worth some 160 euros in Portugal. According to a recent price comparison from theguardian 100 euros in Portugal buys you as much as 158,5 in Finland (2014 prices). A recent opinion piece in YLE estimated that someone earning a 2000 euros pension could save up to 50 000 euros by moving to Portugal. I’m sorry but that really is a paltry when you consider the purchasing power on top of that: up to 140 000 euros in additional value if you spend the full 2k a month in Portugal. That makes 19k a year for the first 10 years, and “only” 14k after that (or about 11k after taxes, for a monthly income of 2000 euros).Perhaps privilleged former CEOs move there because of the extra savings, but is hard to imagine regular people are not enticed to leave Finland because of taxes.

Continue reading

Ze povinhoVocê não compreende que eu sou embaixadora e já o meu pai era embaixador?

Não se tratava de nenhum representante de uma cleptocracia africana ou de um país do terceiro mundo, mas sim da representante de Portugal neste país e nos bálticos. Segundo conta o Iltalehti (em finlandês) Diplomata atrevida força a entrada num evento cheio em Helsínquia: «não percebe que eu sou embaixadora?» a senhora chegou a um evento que tinha como convidada Federica Mogherini, a alta represente da EU para a política de segurança. O evento estava previamente esgotado e havia até em fila de espera representantes de outras embaixadas.

Não percebe, que eu sou a embaixadora de Portugal? Você compreende que eu sou embaixadora e já o meu pai era embaixador?” terá dito a embaixadora Maria de Fátima Perestrello. Acrescentou ainda que o evento era precisamente para pessoas “como ela.” E marchou por ali adentro.

A jornalista do Iltalehti não se coibiu de espremer ao máximo a notícia, citando até a resposta que a embaixadora deu quando lhe pediu uma explicação: “Desculpe, mas porque é que eu deveria responder a esta questão?”

Já devem conhecer o famoso “estudo” da Reader’s Digest, onde apenas uma carteira em 12 foi devolvida em Lisboa – e por turistas. Já em Helsínquia apenas uma não foi devolvida.
Trata-se, obviamente, uma farsa de estudo. Para começar a amostra é demasiado pequena (12? lol) o dinheiro nas carteiras não é ajustado ao poder de compra nem os locais onde as carteiras foram deixadas foram seleccionados de acordo com critérios estritos; o estudo não mede a honestidade, antes um suposto comportamento, que poderá ou não ter forte (ou fraca) associação ao conceito de honestidade.

estudo-carteiras-readers-digest

Se a revista quisesse fazer um estudo a sério teria não só respeitado o que estes e outros critérios elementares como teria feito algo muito simples: colocar a carteira em locais pouco movimentados e observar o comportamento da primeira pessoa a passar. Se a pessoa não a recolhesse os experimentadores recolheriam a carteira e iriam perguntar ao transeunte: viu a carteira? E se viu, porque não a recolheu?

É que embora acredite que nas ruas de Lisboa possa haver mais ladrões do que nas de Helsínquia, eu acredito que o que um estudo destes iria relevar seria o comportamento de apatia dos portugueses. As pessoas ditas normais ignoram a carteira e não se sentem no dever de agir, tal como os portugueses ignoram os seus deveres políticos.

E quando as pessoas ditas “normais” abdicam de agir, as pessoas menos escrupulosas agradecem. Os portugueses sabem do que estou a falar.

Segue o artigo original, tal como foi publicado a 11 de Fevereiro e que deu o nome a este artigo: Em verdade, um Finlandês não é mais honesto que tu…

No seu livro The honest truth about dishonesty: How We Lie to Everyone—Especially Ourselves, Dan Ariely discute os resultados de uma série de experiências sobre batota, nas quais participaram cerca de 30.000 indivíduos.
Alguns dos resultados das experiências são surpreendentes (nas circunstâncias adequadas quase toda a gente é desonesta; os “grandes batoteiros”, como políticos corruptos ou barões da banca são mais desonestos e, todavia, os custos directos da sua batota são mínimos quando comparados com o agregado das pequenas batotas da maioria de cidadãos comuns), outros nem por isso (banqueiros de Wall Street fazem mais batota que a maioria das populações; a batota é contagiosa.)

Talvez a conclusão mais inesperada seja a de que somos mais desonestos connosco próprios do que com terceiros, no nosso esforço para manter uma auto-imagem positiva. Fazer batota não resulta de uma análise racional aos custos e benefícios, antes está sujeita a uma série de influências externas, às quais nós, nos julgamos indiferentes.

Continue reading